Natal e emergência hospitalar…….de novo!!!!!

Incrível. Passamos o ano todo de 2015 sem voltar à emergência de um hospital pediátrico, apesar da pneumonia em abril, diagnosticada no  consultório do Dr. Zan. Desde então Luisa não tomou antibióticos ou anti inflamatórios, mas também não esteve nenhum quadro de saúde que o exigisse. Até o Natal. E então, como no ano anterior, os dias de Natal coincidiram com visita à emergência pediátrica.

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Na imagem, toda felicidade da Luisa por estar em Bragança. Vou me auto disciplinar para as descrições de imagem: Luisa sendo erguida pelos pés por seu pai, tendo ao fundo o Rio Caeté, na manhã do dia 24 de dezembro de 2015.

 

Desde outubro Luisa já vinha apresentando os sintomas de uma sinusite diagnosticada pelo dr. Zan, ao avaliar sua ressonância magnética. Vinha, então, reforçando ainda mais o sistema imunológico com fitoterápico prescrito pelo Dr. Zan, além do que já era de praxe. No Natal, fomos pra praia e seu nariz começou a escorrer. Assim que pisamos na praia e Luisa começou a comer areia, a única coisa que me veio à mente foi: será que ela está comendo areia por deficiência de minerais? Mesmo com suplementos? Ou é sensorial? Pois veja, eu tenho cinco filhos. Todos comeram areia, inclusive ela (oi Conselho Tutelar). Mas, não como ela. O que vi ali na praia foi uma total fixação em comer areia.

E fiquei em dúvidas se a questão sensorial que ela já vinha apresentando há algum tempo estava sendo determinante pra esse comportamento, ou se era necessidade orgânica de ingerir minerais. Se tem uma coisa que eu já aprendi sobre a Luisa é que ela está sempre com deficiência de minerais…… Impressionante. Mesmo com o Nutrivene D, ela tem que repor mais zinco à parte. Talvez estivesse ocorrendo o mesmo com outros minerais…..

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Luisa tentando voar, sendo erguida pelo pai, tendo o rio Caeté ao fundo

A parte ruim de toda a história é que minha dúvida não resistiu nem ao retorno pra casa. No dia 25 mesmo, em plena manhã de natal, já estávamos de volta, pra emergência médica, com a Luisa com o maior febrão possível de ser registrado. Por um lado eu estava super preocupada, claro. Por outro, eu meio que comemorava – dá-lhe sistema imunológico!!!!!!!! Queima mesmo esse monte de vírus e bactérias e mostra quem manda no pedaço!!!!!!!

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Luisa andando na imensidão da praia de Ajuruteua

Minha empolgação com esse sistema imunológico que mandou a febre também não durou muito. A médica da emergência me forneceu um quadro assustador de pulmões encharcando a qualquer momento, prescreveu antibiótico, e eu, como se fosse ainda uma mãe adolescente de primeira viagem, sem nenhum exame de sangue, sem nenhum raio x do tórax, tomei a decisão de que mais me arrependo na vida – dei antibiótico pra Luisa sem tirar a prova dos nove da necessidade!!!!! As consequências estão aí ate hoje,me atirando diariamente no mar de lama da culpa materna – mais alteração sensorial, destruição da microbiota,suspeita de disbiose, distensão abdominal, retorno definitivo das estereotipias (até o momento)……………..

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Luisa aguardando atendimento na emergência, de camiseta branca e shorts rosa, descalça e fazendo bico

Mas, não adianta lamentar. Eu tomei a decisão. O pavor da pneumonia de abril ainda era muito fresco na minha memória. Ao não exigir os exames ou sequer recorrer a uma segunda avaliação, eu fiz o que julguei ser o correto para o bem dela. Então é levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima. O que não é exatamente simples.

 

 

 

 

O “planejamento estratégico” do ano escolar: entre eletrônicos e copos de canudos

O final de 2015 foi muito intenso. Por um lado, andávamos às voltas com os preparativos para o ingresso na escola. Entrevista, reunião com a Coordenação da Educação Infantil, com a Coordenadora do Núcleo de Atendimento aos Alunos com Necessidades Específicas, visita à escola, dia do acolhimento, euforia, expectativa e alguma preocupação com situações pontuais, necessárias ao ambiente escolar, como a familiaridade com os vídeos de desenhos e musiquinhas infantis o uso do canudo. Por outro, a persistência de alguns sintomas da sinusite vista pelo Dr. Zan na consulta de outubro e das estereotipias, que estavam nos levando a concluir pela necessidade da investigação e intervenção no sistema digestivo.

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Na imagem acima, Vânia, eu e Lourdinha, no dia do acolhimento às famílias dos novos alunos. Lourdinha é a Coordenadora Pedagógica da Educação Infantil e Vânia a Orientadora Educacional também da Educação Infantil. Luísa estava oficialmente na escola.

A Carol Rivello, do Nossa Vida com Alice, produziu uns vídeos ótimos, sobre as cores, em que vários personagens infantis aparecem. Quando vi os vídeos, querendo mostrá-los à Luísa, percebi que ela não conhecia nenhum daqueles personagens e que esse desconhecimento poderia afetar não apenas o seu envolvimento com os vídeos da Carol, como também com as atividades da escola, pois ela não sabia quem era a Galinha Pintadinha, nem a Peppa, nem o Barney, nem a Dora……..os únicos vídeos que havia assistido até então eram os da Xuxa Só Para Baixinhos e os do Palavra Cantada…..e apenas alguns…..

Então começamos um intensivo de vídeos infantis. E Luísa pôde ficar grudada nos celulares e tablets, adquirindo “repertório” (mas continuou vendo Xuxa e Palavra). Não houve reclamações da parte dela, ao contrário, parece que já conhecia o touch screen de outras vidas, aprendendo rapidamente a passar o dedinho indicador em tudo. Aliás, outro dia estava conversando com um amigo de longa data, o Alan Mansur, e chegamos à conclusão que o sistema touch screen usa realmente algo instintivo e atávico que guia nossa curiosidade à exploração. Vimos isso nos nossos pequenos, então constatamos,mas deve ter alguma teoria (ou várias) que explique o fenômeno de forma consistente.

Mas algumas vezes ela até desgrudava os olhos dos eletrônicos pra “falar” com a gente…..

Ao mesmo tempo, continuamos a estimular todo tipo de brincadeiras offline na maior parte do tempo, desde as mais educativas e lúdicas, até aquelas moldadas pro estímulo do carinho, cuidado e empatia com o outro, como o simples ato de nanar uma neném.

Fazendo um análise retrospectiva, pois estou escrevendo esse post oito ou nove meses depois, minha preocupação não se justificou, porque Luisa aprendeu imediatamente todas as coreografias e músicas da escola (vemos que ela aprendeu porque antecipa os gestos das próximas frases). Mas era uma preocupação válida, pois eu não queria que ela se sentisse deslocada de alguma forma. Queria que tudo lhe fosse familiar. Só esqueci que as descobertas também podem ser deslumbradoras e não apenas assustadoras. com ela aconteceu a primeira hipótese, ela ficava a cada dia mais deslumbrada.

Quanto ao uso do canudo, essa era uma preocupação aterrorizante, já que Luisa nunca tinha sido ensinada (eu desconhecia que era função do profissional de TO ensiná-la).  Ela já espetava os pedaços de fruta com o garfo e comia, então a parte de comer não me preocupava, mas sim a parte de beber. Vieram em meu socorro a Christiane Aquino, que me mostrou o vídeo do Vito aprendendo a usar o canudo com a criadora do método Talk Tools em pessoa (mais de um ano mais novo do que quando a Luisa começou a aprender) e a Cínthia Azevedo, fonoaudióloga de BH, que com uma paciência de Jó, me orientou.

Eis o link do vídeo do Vito, no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=_7M3a4-f4cg

Rapidamente Luísa aprendeu. E com pouco mais de um ano e meio já pôde sair completamente da mamadeira, passando para os copos com canudo. O lanche na escola deixou de ser um desafio e uma preocupação.  Já comia sozinha suas frutas e sugava no canudo. Já estava até treinando com o Heitor pra comer a maçã do lanche alheio. Comemoramos mandando pra tia Cínthia um vídeo tomando água de coco com um coco que não estava lá aquelas maravilhas:

E que venha o ano escolar!!!!!!!

 

Ao que parece, nosso amigo processamento sensorial gosta de atenção

Quando  voltamos da avaliação dos 18 meses, as estereotipias da Luisa se intensificaram bastante. Se antes ela precisava dar leves batidinhas nos objetos várias vezes antes de pegá-los, assim como bater levemente, repetidamente, qualquer papel que encontrasse, nos lábios, ao retornarmos as batidinhas na boca se espalharam para o corpo todo, além de surgir uma nova estereotipia, que a princípio eu achava que era chupar a língua quando estava com sono (meses mais tarde, encontrei no Simpósio Internacional de Síndrome de Down em SP, minha amiga Cínthia Azevedo, que é fono em MG e, ao lhe mostrar um vídeo, ela esclareceu que na verdade Luísa estava chupando a parte interna das bochechas).

Alguns dias após o nosso retorno,  fiz um vídeo em que Luísa fica mais de dois minutos dando leves batidinhas em um cartão de visitas por todo o seu corpo, enquanto “entoa” uma canção (minha amiga Deysi, mãe do Adam, chama de ladainha, o que considero uma boa definição). As “canções” eram o acompanhamento frequente nesses momentos, até que foram substituídas pelo ato de chupar as bochechas, quando então a “ladainha” cessou. Na literatura especializada sobre estereotipias, que já postei antes, há a referência ao quanto é comum substituit uma estereotipia por outra.

Eis um trecho pequeno do vídeo de dois minutos a que me referi:

Eis um trechinho menor ainda de um vídeo em que dá pra ver a nova estereotipia:

O que fiz foi proceder à limpeza de metais pesados com clorella. As batidinhas de papeis pelo corpo desapaceram, mas o hábito de chupar as bochechas não. Além de não ter desaparecido, Luisa surgiu com uma nova “mania”. Não era mais uma questão de bater levemente e repetidamente com a mão na minha boca quando estava sendo ninada, o que começou dessa forma rapidamente se transformou em uma compulsão por também puxar meus lábios, apertar, amassar etc.

Discutindo longamente o assunto com os profissionais que a atendem, chegamos à conclusão que as alterações sensoriais da Luisa não vinham apenas dos metais pesados, mas que, provavelmente, tinham também origem em dois outros fatores, alergias alimentares e/ou um desequilíbrio na microbiota que já configure uma disbiose, ou que ao menos se aproxime disso.

Iniciei, então, um longo processo de investigação dessas alternativas. E de repente aquela barriguinha globosa da Luísa, por meses atribuída à hipotonia e à diástase, se tornou uma fonte de suspeita de que havia algo de errado.

Como medidas preventivas, além do filtro da água que bebemos, que elimina metais pesados e equilibra o PH, comprei também um filtro de barro pra sua água do banho (até que ela aprenda a não beber a água enquanto está tomando banho), descartei qualquer objeto de alumínio existente na cozinha e iniciei uma lenta substituição dos vasilhames plásticos por vasilhames de vidro. Me preparei pra iniciar uma dieta específica pra distensão abdominal e comecei a pesquisar como proceder à investigação da disbiose.

Nesse meio tempo, com o fim do ano de 2015 se aproximando, levei Luisa pra conhecer sua futura escola, onde ela começaria a estudar, no Maternal I, em janeiro de 2016. Foi muito emocionante vê-la com a Ana Cláudia, que foi a professora de Maternal I do Thomaz e do Heitor, no dia em que ela foi conhecer sua futura sala de aula. Ela adorou conhecer a escola, ganhou abraços (que infelizmente não posso postar por não ter autorização) e rapidamente já estava interagindo com as crianças.

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E lá vamos nós para a avaliação dos 18 meses

Depois de fazer todos os exames relacionados ao spasmus nutans, o que icluiu uma ressonância magnética cujo resultado nos  deixou muito felizes, porque constatou que o cérebro de Luisa não tem alterações estruturais e de mielinização (acredito que o ômega 3 teve um papel crucial nesse resultado) e, depois de repetir os exames laboratoriais semestrais, lá fomos nós novamente pra São Paulo, para passar em consulta com o Dr. Zan e Dr. Paulo Breines, neuropediatra.

Como tem que ter sempre um estresse, Luisa chegou em São Paulo com um desconforto gástrico que lhe causou diarreia sanguinolenta. Creditei o episódio ao grão de bico mal cozido que ela comeu antes de viajarmos, preparado por uma nova cozinheira, inexperiente no preparo da sua alimentação, no contexto do tumulto e correria que é organizar uma viagem com um dos filhos, deixando os outros em casa. O que fiz foi hidratar bastante, ofertar muita água de coco e, no dia seguinte, já estava tudo bem (tenho a intuição que o simbiótico que ela já estava tomando há algum tempo ajudou bastante nessa situação toda).

Se não contarmos com esse episódio na chegada, as notícias foram muito boas, o spasmus nutans tem mesmo origem no sistema nervoso central, o prognóstico é que desapareça por volta dos três anos. A felicidade só não foi completa por causa de uma sinusite assintomática que o Dr. Zan descobriu, ao avaliar sua ressonância magnética e por causa do zinco e da vitamina D, que insistem em permanecer insuficientes, mesmo com suplementação. Dr.Zan fez algumas adaptações e vamos ver na avaliação dos 2 anos, se encontramos enfim a solução.

Encontramos o Gabriel, sua mãe, a Mariana Salgado, e sua avó na recepção do Dr. Zan. Nossa, como é bom “conhecer” pessoas que já fazem parte das nossas vidas, por estarem na mesma trajetória, por terem nos estendido a mão e nos prestado apoio e solidariedade,nos amparado e confortado nos momentos de insegurança. É muito bom esse sentido de pertencimento que a comunidade dos amigos que formamos na síndrome de Down nos traz.

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E assim, nos despedimos de São Paulo……por mais um semestre!!!!!!!

Alheia a todas as preocupações, Luisa floresce

Publiquei tantos posts consecutivos abordando questões complicadas, que temo criar uma ideia de que seja mais complicado do que é, na verdade, ter um bebê com síndrome de Down.

Mas isso só aconteceu porque eu vinha abordando seguidamente, de forma agrupada, questões que se dissolvem pontualmente no cotidiano. Só que há muito mais nesse cotidiano. Há, por exemplo, toda a alegria contagiante da Luisa, que acorda cedíssimo, cheia de energia, sempre bem humorada e feliz, sempre rindo e aprontando e desarrumando tudo na casa.

Alheia às preocupações de ajuste no seu metabolismo através da suplementação, de taxas hormonais e exames laboratoriais semestrais, Spasmus Nutans, nistagmo e outros quetais,  o período dos 12 aos 18 meses foi marcado por uma série de gracinhas típicas de uma criança arteira, repetindo tudo aquilo que os irmãos faziam quando tinham a mesma idade.

Como tirar TODAS as roupas do meu armário:

Ou tirar todas as roupas da gaveta do irmão:

Ou “falar” ao telefone:

ou fazer dancinhas fantasiada de Branca de Neve:

Ela também espalha os brinquedos pela casa, brinca com os irmãos, joga tudo o que tem nas mãos dentro do vaso sanitário, coloca as bonecas pra dormir e dá muitas, muitas gargalhadas de tudo. Luisa é muito feliz. E faz questão de exibir isso a todos.

Voltando à programação normal. O retorno do transtorno no processamento sensorial

Depois de seis posts abordando questões  acerca do empoderamento e detalhando os suplementos introduzidos na dieta da Luisa até os dezoito meses, finalmente volto a falar do nosso dia a dia.

Esse período, até os dezoito meses, foi um tempo muito voltado para o Spasmus Nutans, como já relatei. Mas, paralelamente, outras coisas surgiram, ou retornaram, como foi o caso do transtorno (ou alteração, ou distúrbio) do processamento sensorial.

Luisa já tinha apresentado, antes de fazer um ano, algumas pistas de que nela as questões sensoriais se manifestam com alguma distinção, pois ela se recusava a pegar nos alimentos, muito embora quisesse comê-los. Essa recusa me sugeriu alguma desordem relacionada ao tato, em razão da textura e temperatura dos alimentos e, por essa razão, investi em atividades sensoriais.

Na época, Luisa ainda fazia o método Doman no Projeto Acreditar, e por um tempo focamos bastante nessa questão. Em paralelo havia todo o trabalho de sua Terapeuta Ocupacional.

E deu certo. Pouco tempo depois, Luisa já pegava nos alimentos e o transtorno no processamento sensorial parecia ter ficado no passado. Mas não ficou. Voltou. E voltou novamente relacionado ao tato, porém de uma forma diferente. Se antes Luisa tentava evitar a informação sensorial  (a sensação da fruta nas mãos), agora ela buscava repetidamente essa informação, mas não com frutas, e sim com qualquer objeto em que ela quisesse tocar, e, particularmente, com papel.

Então não era mais uma questão de evitar o toque, era uma questão de querer repetidamente o toque, através de leves batidinhas infinitamente repetitivas da mão em objetos, de leves batidinhas de qualquer papel pelo seu corpo, de batidas de um objeto no outro. Enfim, ela tem que bater.

Com um ano e quatro meses, é possível perceber no vídeo abaixo, durante uma sessão de terapia ocupacional, como ela tinha necessidade (e ainda tem) de bater a mão no brinquedo antes de apertá-lo. E como ela tinha necessidade de bater os objetos uns contra os outros  (ainda é assim atualmente).

Neste outro vídeo, também com um ano e quatro meses, ela desiste de seguir com a  atividade para bater o canudo na mesa:

Quando ela encontrava papéis pequenos pela casa, do tamanho de um cartão de visitas ou mesmo uma das cartas Pokemon do irmão……aí começava uma sessão interminável de batidinhas do papel na boca e no restante do corpo. A princípio era mais na boca.

Voltei a investir em atividades e exercícios sensoriais, mas dessa vez não houve muito êxito.  Então busquei me informar sobre as questões específicas de transtorno do processamento sensorial na síndrome de Down, em razão do funcionamento alterado dos neurotransmissores envolvidos nas sinapses químicas.

Aprendi que os distúrbios metabólicos agravam o transtorno de processamento sensorial e que é possível diminuir tais distúrbios com medidas como retirar os metais pesados do organismo.

O que despertou minha atenção para pensar os distúrbios metabólicos como um componente do transtorno de processamento sensorial, entre outros textos, foi esse texto da Inclusive: http://www.inclusive.org.br/arquivos/21049

Conversei com os médicos que atendem Luisa e decidimos usar Clorella, uma alga que, como fitoterápico, atua na remoção de metais pesados. E, lógico, mantive os exercícios sensoriais.

Essa série de textos contribuiu muito para as informações que usei sobre o uso da integração sensorial na alteração do processamento sensorial:

Sensory Processing Disorder: Therapeutic Listening – Guest Post by Carole

Sensory Processing Disorder & Our Boy with Down Syndrome

Sensory Processing Disorder & Sensation Avoidance

Sensory Processing Disorder: Sensation Seeking & ‘Antisocial Behaviour’

O resultado dessa combinação de estímulos sensoriais e limpeza do organismo foi fantástico. Mesmo com a dose mínima os gestos repetitivos desapareceram.

Spoiler: alguns meses depois, os gestos voltaram. Mas esse é assunto pra outro post.

 

A suplementação de resveratrol e EGCG e a introdução do simbiótico

Seguindo a ordem cronológica de introdução dos suplementos, a partir dos 15 meses iniciei a oferta de resveratrol associado à quercetina como fator de absorção, em razão da sua eficácia na diminuição da superexpressão do MicroRNA155, apneia do sono, estresse oxidativo e outras situações. E aos 16 meses, iniciei a oferta de EGCG, em razão de sua eficácia na diminuição da superexpressão do gene DYRK1A e na promoção da recuperação óssea, entre outros inúmeros benefícios comprovados em pesquisas. Por essa época também introduzi um simbiótico, que vem a ser a associação de um probiótico com um prebiótico, como suporte à formação e preservação de uma boa microbiota intestinal, pois Luisa tem uma considerável distensão abdominal, que não se justifica mais apenas pela diástase do reto abdominal com que nasceu. Então o simbiótico, ao fortalecer as bactérias boas da microbiota, pode ajudar a diminuir essa distensão.

Deixarei para outro momento a abordagem dos suplementos introduzidos a partir dos 18 meses.

Abaixo, relacionarei algumas das pesquisas que foram usadas como critério para a decisão pela suplementação de EGCG. Logo em seguida, dois posts do meu amigo Rogério Lima, que explicam a função do MicroRNA155 e a ação do resveratrol.

Mas, antes de qualquer coisa, quero contar que por volta dessa idade, quinze, descêsseis meses, Luisa descobriu o que é celular, YouTube e Xuxa. E aprendeu também a girar pra dar as costas sempre que sentia alguém se aproximando quando estava com o celular nas mãos hehehee:

Também nessa época tivemos 15 dias de férias das terapias no mês de julho. Meus ambiciosos planos de passeio tiveram que ser ajustados às circunstâncias, pois Heitor adoeceu. Mas conseguimos ter alguma diversão:

 

 

COLETÂNEA SOBRE O EGCG

1. Pesquisa in vitro realizada por pesquisadores italianos, com células de 5 fetos não trissômicos e de 6 fetos com SD comprovou a eficácia do EGCG na recuperação da função mitocondrial das células com SD:http://www.sciencedirect.com/…/artic…/pii/S092544391200302X…

2. O mesmo resultado positivo da pesquisa acima, foi encontrado em estudo clínico in vivo, com uma criança com SD de 10 anos e 3 meses, em que à oferta de EGCG foi adicionada a oferta de ômega 3. Além da eficácia, a segurança foi atestada pela ausência de efeitos colaterais:https://www.researchgate.net/…/557e9b5b08ae26eada8dc745.pdf…

3. Em 2014, pesquisadores norte-americanos publicaram o resultado de pesquisa que constatou, além de importantes observações sobre a metilação em trecho CoG de DNA, que o EGCG incrementa a expressão da proteína pre-sináptica SNCA, que se apresenta significativamente reduzida tanto em indivíduos com síndrome de Down, quanto nos camundongos com a trissomia: https://www.dropbox.com/…/Epigen%C3%A9tica_Ch%C3%A1_Verde_E…

4. O bloqueio da superexpressão do gene Dyrk1a em ratos modelos para SD (Ts65Dn) por meio de knockout genético ou com uso do EGCG recuperou a estrutura óssea do fenótipo com SD. Melhorou a microestrutura óssea, o número de células em atividade no fêmur, a força mecânica do osso e a mineralização óssea. (http://hmg.oxfordjournals.org/…/…/2015/08/05/hmg.ddv284.long)

O artigo na íntegra está aqui http://1drv.ms/1KT82nT

5. A publicação do Movimento Down:

 

 

http://www.movimentodown.org.br/…/cha-verde-pode-ajudar-me…/

A título de atualização, a comercialização farmacêutica do EGCG para atuação terapêutica na SD foi liberada na Espanha em Junho de 2015, após o encerramento das pesquisas de eficácia e segurança para pessoas com SD maiores de 16 anos, como podemos ler aqui:http://www.down21.org/web_n/index.php…

 

SOBRE O MICRORNA155 E A SÍNDROME DE DOWN – ROGÉRIO LIMA

Os microRNAs foram descobertos há pouco tempo pela ciência (1993) e estão tomando conta de muitas pesquisas inovadoras. A função dos microRNAs é o controle da expressão gênica. Como o próprio nome diz, eles são pequenas sequências de RNA que são transcritos, a partir do DNA, e não são traduzidos em proteínas. Sua função é se associar a alguns RNAs mensageiros e impedir que estes sejam traduzidos. Assim, os microRNAs diminuem ou bloqueiam a expressão de um gene impedindo que este gene seja traduzido (tem um vídeo de como funciona aqui (1).

Sabemos que há um descontrole da expressão gênica causado pela trissomia do cromossomo 21 na SD. E o cromossomo 21 possui alguns microRNAs que também têm por função a repressão de genes. Há vários deles já relatados, mas estou pesquisando bastante sobre o microRNA 155 (dica da Carol e Gisele Fontes) (2 e 3), que possui muitos efeitos negativos na SD. Esse microRNA já foi identificado como superexpresso em pessoas com SD. Por ter este efeito, há linhas de pesquisas sugerindo que a superexpressão dos microRNAs pela trissomia do cromossomo 21 resultaria na diminuição de proteínas específicas que contribuem para as características da SD como deficiência cognitiva, defeitos congênitos do coração, anormalidades craniofaciais, alterações gastrointestinais, leucemia na infância, baixa resposta imune, Alzheimer prematuro, reduzido risco para tumores sólidos e doenças cardiovasculares (4 e 5).

O microRNA 155 foi relatado como superexpresso em condições de câncer de mama invasivo (6) e em cânceres em geral (7) em humanos. Nesses casos sugerem que esse microRNA impeça a morte celular programada das células cancerígenas possibilitando que o câncer se instale. Nas células estômago de pessoas infectadas por Helictobacter pilore (8), sugerindo como estimulada pela bactéria para facilitar a infecção. Também foi correlacionado à diminuição da mielinização dos neurônios (9), comum em pessoas com SD. Diminuição da resposta imunológica (10, 11 e 12). Relacionados à obesidade, diabetes e envelhecimento cardiovascular precoce (13 e 14). Com esclerose lateral amiotrófica (15), e Alzheimer (16).

O mais danoso efeito de sua superexpressão está relacionado a doenças do sistema circulatório como linfoma (17) e principalmente leucemia (18, 19 e 20), uma das doenças mais comum em crianças com SD. Este microRNA é mais expresso até mesmo em crianças com leucemia sem trissomia do 21 (21). A superexpressão do microRNA 155 foi relatada como maior em linfócitos em crianças com SD comparado a seus irmãos gêmeos (22) confirmando sua a superexpressão pela trissomia do 21. Portanto, é um grande problema essa superexpressão desse microRNA. Contudo, pesquisas estão ladrilhando o caminho para soluções dessa superexpressão. A inserção de oligonucleotídeos (pequenas sequências de RNA ou DNA) complementares a esses microRNAs impedem sua ação (como mostrado no vídeo). Esses são chamados de antisenso porque se associam complementarmente ao microRNA e impedem que este bloqueie a expressão gênica. Resultado positivos foram obtidos em ratos com linfomas (23), e com esclerose lateral amiotrófica (24), e para neurocognição (25). No entanto, essas soluções ainda não estão disponíveis para tratamento do microRNA 155 em humanos. Alguns remédios já no mercado como glicocorticoides (26) e dexametasona também tem esse efeito em diminuir a expressão do microRNA 155 (27). No entanto, existem soluções a partir da alimentação ou suplementação que são comprovadamente redutoras da expressão desse microRNA 155 em humanos (28 e 29). Um dos principais é o resveratrol (30, 31 e 32) que se mostrou muito eficaz na redução da expressão desse microRNA. A curcumina (33). A reposição de colina e do suprimento adequado de aminoácidos (34), os polifenóis (35, 36, 37 e 38), os flavonoides (39). Além de, a grande aliada, a vitamina D (40 e 41), e a vitamina E (42 e 43).

(…)

P.S: Como não é colocar o link individualmente coloquei todas as referências aqui (http://1drv.ms/1MdTG1y). Alguns links não permitem ver o artigo na íntegra, caso alguém tenha interesse tenho todos e posso colocar os que quiserem nos comentários.

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SOBRE O RESVERATROL – ROGÉRIO LIMA

O resveratrol (1) é um composto antioxidante associado a redução de problemas cardíacos e longevidade. Ele é um composto secundário de plantas utilizado para defesa vegetal contra patógenos. Pesquisas (2 a 5) mostram que ele reduz a expressão do microRNA 155 que é tipicamente mais expresso em pessoas com síndrome de Down. Esse microRNA está ligado principalmente à leucemia. Aqui vou divulgar alguns dados atuais de como anda a pesquisa sobre o resveratrol e seus principais mecanismos de ação (6).

Um dos principais efeitos do resveratrol é a atenuação da inflamação (7), controlando vários microRNAs que disparam a inflamação celular (8). Reduz o estresse oxidativo controlando geneticamente a expressão das enzimas oxidativas Superóxido Dismutase (SOD1), Glutationa Peroxidase (GPX1) e NADH Oxidase (NOX4) (9). Diminui a injuria nos rins (10 a 12). Apresenta ótimos efeitos no combate e controle da diabetes. Inibe a absorção de glicose no intestino (13 e 14), auxilia na ação da metformina (o principal remédio para o diabetes) (15). Diminui os efeitos da dor e neuropatia em pessoas diabéticas (16). Aumenta a longevidade em ratos com dieta de alta caloria (17). Controla a doença de Parkinson (18). Ajuda na redução da obesidade semelhantemente à redução da redução calórica (19). Potencializa o efeito da vitamina D (20). Melhora a condição óssea – osteosporose – (21). Melhora as condições ovarianas (22). Estimula a angiogênese (vascularização) e neurogênese (crescimento neuronal) em cérebro com isquemia (23 e 24). Inibe a isquemia inibindo o transportador de glutamato nas células do hipocampo cerebral (25).
Melhora na insuficiência cardíaca (26). Reduz a falha cardíaca na distrofia muscular de Duchenne (27). Proteção cardiovascular contra isquemia (28). Reduz a arritmia cardíaca (29). Inibe a replicação de rinovírus, uma das causas de resfriados, e inibe a expressão dos mediadores que causam sua inflamação (30). Auxilia na atenuação de infecções respiratórias (31). Potencializa os efeitos da dexametasona na inflamação de pulmão (32). Utilizado em tratamento tópico de pele (33 e 34). Ajuda na recuperação da pele em tratamentos de peeling químico e no aumento na deposição de colágeno (35). Previne vários tipos de cânceres (36). Controla câncer de próstata (37 e 38) e de pâncreas (40). Estimula a morte das células cancerosas de leucemia (39).

Sua absorção e disponibilidade ainda é limitada (41). A quercetina e a curcumina aumentam a absorção intestinal de resveratrol (42). E existem pesquisas indicando melhor disponibilidade do resveratrol através de nanoformulações (43 e 44) (algumas já disponíveis no mercado). Infelizmente, ainda não há muitas evidências de resultados positivos encontradas nas baixas concentrações de resveratrol na dieta de alimentos como sucos, vinhos (45). Apesar de estar bem estabelecido que é bem tolerado a doses até 500 mg dia e apresentar melhor biodisponibilidade na absorção no período da manhã (46).

(…) Existem vários estudos clínicos sendo realizados atualmente com resveratrol, alguns relevantes já concluídos são: Redução da mortalidade em um estudo com 7447 participantes (47); melhora no perfil lipídico sanguíneo em estudo com 1000 pessoas (48); estudo duplo cego mostrando benefícios para fumantes (51); comprovando melhora no diabetes (49); melhora do fluxo sanguíneo cerebral em 22 adultos saudáveis (50).

(…)

As referências estão aqui

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A rotina, os cuidados e a experiência de dividir a vida com Luisa, uma bebê singular por muitas razões, dentre elas o fato de ter Síndrome de Down (Belém/PA)